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sexta-feira, 29 de junho de 2018

«a tarde: com nylon & chumbo» - Ondjaki - (+ «O Centro do mundo», de A. C. L.)

- [último dia da 1.ª fase, finalmente]; 
- pela hora do almoço, salto ao V. da G., para escolher mais um título para a BIBLIO da Mati;
- a reboque, vieram mais dois:
Ana Cristina Leonardo, O centro do mundo (em duplicado, sendo um para a Chefe C. R...) - 27 de Julho,. atingida a p.   - [entrev. com a AUT, a partir do 14.º min. do prog. «todas as palavras» de 21  de Julho]
Ondjaki, Há gente em casa

Recorte inicial de «a tarde...» (livro curto, com longos poemas):

a tarde com nylon & chumbo

acontece-me dizer
que faz domingo no mundo
e é a tua voz que escuto, grave e salgada

a tua e a dos teus que antes chegaram
para pôr os dias as mãos, no mar

               (não era aos domingos que a vida
               e o corpo dos peixes se intervalavam em ti?)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Woolf (Virginia)

REcorte final da E. «Sapatos Vermelhos», de «Ana de Amsterdam (Ana Cássia Rebelo)»:

   [...]  Reli “Mrs. Dalloway” à luz fraca de um candeeiro de abajour amarelo. Não sei explicar o que há na escrita da Virgínia Woolf que tanto me prende.  Já li análises, assisti a documentários, já li até uma tese de mestrado de uma rapariga brasileira sobre a estética feminista na sua obra. Conheço a essencialidade, a modernidade, a força imensa da sua escrita, mas, quando leio os seus livros (os romances, sobretudo "Rumo ao Farol"), todas as análises, estudos, comentários me parecem comezinhos, insuficientes. Falta qualquer coisa. Há um mistério secreto na escrita da Virgínia Woolf; suponho que nunca o descobrirei. 

sábado, 3 de agosto de 2013

ALENTEJO: «O mundo é pequeno, o Alentejo é imenso.»- Eucanaã Ferraz

JOÃO E MARIA

O Alentejo não tem caroço nem casca,
não tem paredes nem teto; certa vez

um velho deixou suas memórias sobre a mesa
todas queimaram, porque os fantasmas lá

não resistem à luz que se lança de altas espigas
para o pátio onde cada faísca risca e dança

entre sobreiros junhos girassóis e dura
mesmo noite adentro. Sente o cheiro

da madeira queimada? São fantasmas, nada.
O mundo é pequeno, o Alentejo é imenso

e lá estava o homem depois de todas as viagens
sem poder dizer de si mesmo algo como:

o dono e seu retorno. Afinal, onde a casa
o relógio a mulher o cachorro o nome?

O retrato da Virgem a lâmpada a cama onde?
Desdobra-se o horizonte em céus em dunas

de poeira em túnicas no vento em fios
e não há nunca filhos ou amigos ou espelho.

Que lugar a cidade a fidelidade urdindo
desfazendo e outra vez os anéis sem fim

da espera? Indaga os livros os mortos
até que as areias do mar, do mar que

parecia distante,
lentamente - não, de repente - cobrem-lhe

a voz e o tempo. O mundo
é pequeno, o Alentejo é imenso.

Eucanaã Ferraz (Rio de Janeiro, 1961; - ), Relâmpago, n.º 31 - 32, Abril de 2013, pp. 175, 6