quarta-feira, 29 de julho de 2026

«Figos frescos com presunto» OU «o melhor da vida»

- cerca das 9 e 30, esquina da P. P. C. - há muito que a senhora ali vende fruta, mas só este Verão...; [no final, R. «arrependeu-se» da conversa», porque...];

- R. começou por lhe perguntar de onde eram os grandes, suculentos, figos que ontem lhe comprara...; «do Algarve», respondeu, mas, quanto à Variedade...; e «porque não os há nos «Super»: respondeu que «não sabia, mas que, aí, a fruta era toda do Estrangeiro, sobretudo de Espanha»; agarrou num Melão e explicou por que é que «tinha de o vender mais caro..; um «passante« intrometeu-se e a conversa derivou para o «elevado grau de açucar do Figo»; R. realçou «os figos com presunto», mas já não dava para mais...; [e «andor», que ainda há quem tenha que trabalhar....]

- Filipa Marins, Recorte de «Questionário pós-proustiano», P2 - Verão, de hoje

Gosta de cozinhar? Qual a sua maior especialidade?
Gosto da lentidão da cozinha, mas sou uma cozinheira sazonal. Prefiro os ingredientes de Verão: haverá alguma coisa melhor na vida do que figos frescos com presunto? 

sexta-feira, 24 de julho de 2026

«Que Nome gostaria de lhe dar?» (Michela Murgia)

 - [30.º Dia; após a «Onda de Calor», dias abaixo dos 30 graus, até agora...; R. pensa em regressar a Lx...]; [de momento, um livro de contos, da autora de «A acabadora», 2009 - RECORTE - AQUI];

RECORTE(s):
  [...] Tinha espreitado a folha sobre a mesa, e a indicação do diagnóstico estava escrita em cima, lapidar, algo que dez anos antes apenas teria sido uma sentença de morte rápida. Carcinoma renal no estádio IV.
    [...] de repente, tomou consciência do facto de o médico nunca ter nomeado a doença.
     - A minha irmã está ali fora, doutor, e tenho outras pessoas amigas. Quando me perguntarem o que tenho, o que lhe devo chamar? Não consigo dizer o que está escrito na folha.
   Fitaram-se. O médico suspirou, em seguida descontraiu os ombros, encostando-se à cadeira. Atrás da barreira de plástico transparente, o seu corpo parecia não ter espessura, como nas fotografias comprimidas em molduras de grampos. Quando falou, a ilusão da bidimensionalidade desapareceu.
     - Que nome gostaria de lhe dar? [...]

      Michela Murgia (1972-2023), «Expressão intraduzível» [conto de] O sentido da náusea [2023], 2025, pp. 14-15

domingo, 19 de julho de 2026

Rugido, 25.º dia + «O menino» (Aramburu)

  - domingo, 25.º dia da 3.ª Est.a de 26; o Clã J. J. já regressou a Casa...; voltarão dentro de 10, 12 dias, para as férias, finalmente...; ontem ida rápida ao Chão da General, para J. verificar «aonde vai o Corte das A.es; 

- Época Alta na Zmab e, no «AL-ZT», «(re)povoado», as «churrasqueiras de Varanda» estão na moda...; [R. vai ter que «desarvorar»....];

- lentamente tem avançado a leitura de «O Menino» [na p.188, de 219];

RECORTE(s):

    Dentro do possível, na distribuição de sepulturas o menino teve sorte. Mariaje apressa-se a corrigir o pai. Deves querer dizer que quem teve sorte foste tu. E Nicasio, depois de pensar uns instantes nisso, não encontra réplica possível e dá razão à filha.
     O caso é que calhou ao Nuco um nicho na terceira fila a contar do solo, junto de um dos  degraus da escada 

   Fernando Aramburu, O menino, 2025, p. 17

terça-feira, 7 de julho de 2026

Rugido, 13.º dia + «trezentos gramas de história» (Filipa Martins)

 - [só hoje concluída a narrativa de F. M.; na Zmab, a Onda de Calor durou «só» cinco dias...]

RECORTE(s):

    [...] Esperava alguma privacidade, mas o que conheço de mais parecido com a sala de consulta do  arquivo é a cantina do hospital. Encolho-me entre leitores que lambem os dedos antes de virar a página, dá-me nojo esta proximidade entre saliva e informação. Sinto um cotovelo a roçagar-me o casaco quando os documentos chegam, há quem espirre a centímetros, sentado ao meu lado o homem puxa o catarro e cospe para o lenço.[...]. 
    A pasta chega e não é pesada, talvez uns trezentos gramas de história. Todos me olham, até aqueles que não se viram para mim sei que me perscrutam - [...] questionam porque esperei meses e agora retardo o momento, porque não abro finalmente a pasta para confirmar que o Estado sempre soube mais sobre a minha mãe do que eu. [...]

                                 Filipa Martins, No meu fim está o meu começo, p. 163