sexta-feira, 16 de setembro de 2011

APAGA - APAGA, FINAL, II

{R. «passa» a G.
Mora na mesma casa, no mesmo quarto do lado}

A. E., por si dita (re)colectora, realça «a ânsia de apagar» ,   
que diz «não entender»

- Entende, Entende.

Para R. é algo que está claro, desde o início da «Caminhada»

Mas, desta vez, vai ser um pouco menos «anti-recolector» e deixará, «para 

trás», mais algumas Entradas (do que em «Jocardo».)

Sabe que, «por junto ou por atacado», tem duas ou três Leitoras - todos sabem

quem são - mas  insuportável seria não jogar o jogo do Efémero ou o do

«Anonimato descomplexo».

Apague-se, então, apagada que (quase) está a Trégua Estival.

[Também a Última Lição de J. T., afinal, foi e ainda não foi]   - CF: JOC -

 e J. T. lá continua pelo Palácio. Muito Moreno. E Saudável.

O livro do sapateiro, ILV

O quadragésimo quinto:
45.
Acocorado como estava o escriba,
só não escrevendo, mas escravo sou
da matéria animal que do distante campo
veio curtida com ecos de verdura
e de tão lenta, infinda paciência.
Como ele cumpro destino de invenção,
de leve e tão sabida descoberta
do  mundo incompleto.

Mundo incompleto, e certo,
esse que preenche a minha cave
e lhe rasga as paredes.

Pedro Tamen. O livro do sapateiro. 2.ª ed., Lx, D.Quixote,2011 (1.ª: 2010), p. 53

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PALÁCIO 1112, Quarta, 14

- E chegam aqueles dias em que nem vale a pena enumerar (re)Encontros, por entre as Operações de «Aquecimento dos Motores».

-
Outra Floresta é a da Parafernália de Equipamentos em montagem (a montar), a «confusão» dos  acabamentos ainda em curso 
 
- De realçar, então, o regresso de J. F. , Mestre de HCA - após 8 ou mais anos de ausência e Ausência- foi M. da M. A. - agora jovem Pintora

- às 13:50, R. passeou pela Grande «Ágora-Passerele» - «uma Amplidão de Luz Branca que CEGA»: «Natureza de Betão sem Gente»
- só com um Objectivo: FIXÁ-LA, IMACULADA, ainda que coberta de Pó (por enquanto)

Amanhã serão as P. - objecto de Mitificação, sempre - mas, na prática dos últimos anos - Rudes e Tóxicas -  Os Escolhidos garantem que «este ano será Diferente», outros, «como antigamente»    
Será?
Se R. antes não as Via, agora não as verá.

Well.


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

PALÁCIO 1112, Quinta, 08

10:15
J. R. (ex-bloco D) - uma Doce, doce Menina - disse, face de «Lua sorridente», que  anda a LER Orgulho e preconceito, de Jane Austen («Um clássico, boa»)

10:40
(ontem, a Pequena Grande Governante do Palácio-Hotel, a dona GTT,  multi-talentosa, « desdobrava-se» em «técnica de Informática» -
 como é «rodas-baixas», «alcança-lhes» todos os recessos)
R: Ó dona G., como é que se sente (pensa) no Palácio quase acabado?
Dona G.: (esticando-se) (didascália) - Sinto-me maior, como se tivesse subido a ....
R.: (acabou a Entrevista) (há testemunhas)

Eh, eh

terça-feira, 6 de setembro de 2011

O livro do sapateiro, XXXIII

O trigésimo terceiro:
33.
Brilha outra luz reflectida
na matéria da mão e ferramenta
e nasce alvorecer na curta cave
que o destino me deu.
O que faço é um traço
direito aos olhos de quem me queira poisar
um impalpável pé ao pé de mim.

E a minha profissão faz do sapato
acto.


Pedro Tamen. O livro do sapateiro. 2.ª ed., Lx, D.Quixote,2011 (1.ª: 2010), p. 41

 

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

HOMEM A LER



HOMEM A LER DE ROGIER VAN DER WEYDEN

 Uma inscrição do século XVI, que entretanto foi removida,
atribui-lhe o nome de Santo Ivo. […] Nesta representação
não figura qualquer atributo de santidade, o que torna a
identificação incerta.

 Stephan Kemperdick, Rogier van der Weyden



Talvez seja um santo. Ao fundo há uma janela e vemos
um rio, campos, uma ponte. Sob as árvores alguns vultos. São apenas
pormenores. Ele está um pouco inclinado. Um rosto pode ficar mais
      atento
se não soubermos a quem pertence. Por isso, conserva
os olhos fixos na leitura que faz devagar até nós sermos
o que ele lê, a mesma folha aberta, os caracteres a negro. Tornamo-nos
neste texto, e a luz vem ao seu encontro quando a claridade
ajuda a compreendê-lo. Mesmo que a cor de uma das paredes
esteja ali como um segredo, principia agora para nós o sentido
que há-de permanecer nos seus lábios cerrados para sabermos
como vem ter connosco o rumor de uma voz mais antiga. De novo
olhamos todas essas palavras que ele fita também. Pode
a nitidez do que está escrito fazer agora com que deixemos
de existir?

Fernando Guimarães. As raízes diferentes. Lx., Relógio d’Água, 2011, p. 22 [da 1.ª secção: «Tempestade em Veneza e outros poemas»]

terça-feira, 2 de agosto de 2011

[A morte é a curva ...] - PESSOA + BORGES + (...)

Manuel Jorge Marmelo, na sua crónica de hoje, no Público, «No bolso do morto», (na secção «Bisturi»), termina citando os dois últimos versos do poema Ortónimo de Pessoa.                       (ver Entrada anterior)

Até lá, relata uma curiosa história, «para-literária», que envolve figuras como Borges, Faciolince (escritor colombiano, autor do romance Somos o esquecimento que seremos) e outros.

Recorte Inicial:

«No bolso do morto»  («Bisturi») Jorge Marmelo

Foi há coisa de um ano que aqui referi o romance Somos o esquecimento que seremos, de Héctor Abad Faciolince, e o poema que o escritor colombiano achou no bolso das calças do pai quando o encontrou assassinado numa rua de Bogotá: “Já somos o esquecimento que seremos/o pó primordial que nos ignora”.

O poema, cujo primeiro verso serviu de título ao romance, estava assinado “JLB” e Faciolince entendeu que se tratava de um escrito de Jorge Luís Borges. A história desse controverso escrito não terminou aí, porém. A sua autoria foi contestada, inclusivamente pela zelosa viúva de Borges, e armou-se uma daquelas polémicas em que os literatos, às vezes, se exercitam. A controvérsia, porém, não deu um filme – deu dois livros. Traiciones de la memoria, do próprio Héctor Abad Faciolince, e Los falsificadores de Borges, do argentino Jaime Correas, contam, de modo diverso, uma investigação de vinte anos que permitiu determinar que os versos eram mesmo do autor de O Aleph. “É uma história estranhíssima. Podia ser um conto de Borges”, declarou Correa quando, há alguns meses, apresentou o seu romance em Buenos Aires.

Tanto quanto foi possível determinar, o poema – que, afinal, eram cinco – saiu da gaveta de Borges na calle Maipu num dia de Setembro de 1985, pela mão de Franca Beer,  [....] .

 Público, 02-08-2011, P2, p. 3


LER - AQUI

quarta-feira, 27 de julho de 2011

PALÁCIO DE VERÃO, XVII - Final

- 2 dias de «exercício de Escada»

- no último - HCA e GD A -
 - vários dos «encalorados prestadores» são ex-Qd.s de há 1, 2, 3 anos, tentando a «tal nota» na(s) Específica(s)

- Palavra de ORDEM: «DESLIGAR» (da Tomada)


quarta-feira, 13 de julho de 2011

O livro do sapateiro

Lá se subiu à FNC.

O livro de Pedro Tamen, já premiado, estava na «lista de espera». Foi desta.
Percurso feliz é, será, o desta obra.

São 49 poemas, sem títulos, mas  numerados.

O terceiro:
3

               Sentado no curto escabelo que me deram
               espreito aqui da cave pela janela alta
               as pessoas que passam.
               Passam passam deixo de vê-las
               enquanto ergo e baixo a ferramenta.
               Continuo sentado no escabelo que me deram
               e no escuro desta cave estou acompanhado.
               Sim, acompanhado
               não por quem passa
               mas por quem não passa.

Pedro Tamen. O livro do sapateiro. 2.ª ed., Lisboa, D. Quixote, 2011 (1.ª: 2010),  p. 11


FIAMA - Epístola para um caramanchão coberto por madressilva

Gastão Cruz, a propósito da edição, por si organizada,  de Âmago - uma Antologia da obra de FIAMA - traça  um percurso pela mesma num vídeo da série «L.M. - L.M», em Março do corrente ano. 

no final, lê o poema que a seguir se transcreve:

 

EPÍSTOLA PARA UM CARAMANCHÃO
COBERTO POR MADRESSILVA

Nesse caramanchão que a madressilva cobriu
sempre estavam mais sombras do que corpos ou coisas.
A sombra de alguém que se sentasse junto aos vasos
estendia a mão nítida para uma flor de sombra.
Dançasse uma criança em volta do pequeno lago
no centro, e havia uma espiral de sombras claras.
Solitário, na própria sombra, o gato era um corpo
penando a dualidade de ser e de não ser.
Até a pá do jardineiro, linha de sombra oblíqua,
por ser de sombra se quebrava em ângulo.
Não porque todos não estivéssemos em vida ali
mas porque a madressilva, só ela, se embebia de luz
.


Fiama Hasse Pais Brandão, Obra breve, Lisboa, Assírio & Alvim, 2006, p. 597
[de Epístolas e memorandos, 1996]

quarta-feira, 29 de junho de 2011

PUTO

09:40 - Metro. Jovem ainda, algo desgrenhado. Lê, de pé, uma das ficções  de Agustina, na nova edição (Opera Omnia). Valente.

10:00 às 12:00 - Concílio DDTs. Já no corredor, R. «mete-se» com três jovens M.

E ouve, de C.: «és pouco PUTO, tu» [omite-se a «continuação»]
Foi o elogio do mês. Aleluia.

13:00 - Chiado. FNC. Cruzar bairros até ao P. de C., na P. das F.            Ambiente ÚNICO, em LX. Almoço com A. E. Figuras públicas nas mesas próximas: 2 + 1 (D. O., de passagem)

Motivos: palácios, palacetes, palacinhos.

16:30 - Chiado. V., correcta ex-Q.da de 08-09, do 11.º de ADV, é interceptada. Vai para o segundo ano de Fotografia, no IADE.
Veio com a «estafada história do demasiado branco PALÁCIO». mas usou um termo fantástico: IMACULADO.
Boa.

domingo, 26 de junho de 2011

Hendrix + Linda Eastman + Fotografar com a Alma

“Não há problema, podes sempre fotografar com a alma.”

Linda Eastman, Jimi Hendrix, Nova Iorque, 1967

Das 200 000 imagens que Linda Eastman, depois McCartney, deixou em arquivo, esta é a preferida de Stella, a filha de Linda  e de Paul, que,  com este e os irmãos, seleccionou  as dezenas incluídas na obra recentemente publicada: Life in Photograps(Taschen, 2011)
Objecto da reportagem de hoje, na Pública, pp. 32 - 35, com texto de Sérgio B. Gomes, de que se transcreve o último parágrafo:

[...] Linda  teve apenas duas aulas de técnica, antes de aceitar um convite extemporâneo para fotografar os Rolling Stones numa apresentação para a imprensa no rio Hudson, em Nova Iorque, para a revista Town & Country, em 1966. Divertiu-se a tirar fotografias e a aventura correu bem. A partir daí começou a fotografar mais e mais, aprendendo com a prática, porque acreditava sobretudo no “instinto fotográfico”. Linda abraçou vários universos temáticos, experimentou muitos formatos e diferentes técnicas (gostava dos velhos métodos de impressão). A fotografia era uma extensão de si. Mas não a absorvia — nunca lamentava não ter uma câmara à mão quando lhe aparecia uma boa imagem. Segundo a filha Stella, nesses momentos dizia em voz alta: “Não há problema, podes sempre fotografar com a alma.”

terça-feira, 21 de junho de 2011

Quatro Estações

(Passagem pelo Palácio.
F. S. , uma «ex-Qd.a», diz que «teve 18, embora não saiba como, e que vai passar o 1.º trimeste do próximo ano em Itália, num daqueles...intercâmbios?»)

Passagem pelo Chiado:
a) para ver a Fauna: - calções, brancas excursões, várias
b) para marcar o ponto na FNC
c) aí, encontro com P. R. - pintor, ex-M. da AA, sem saudades, e que mora perto.

Por vezes, obras adormecidas nos armazéns das Editoras reaparecem na FNC; foi o caso de As quatro estações» (contos) de David Mourão-Ferreira, na 6ª edição, de 2001, ainda por cima a preço não "totalmente actualizado";

Lá veio; mas, ao chegar à estante, R. encontra outro, igual, mas com capa diferente. Como é?

Com tanto cuidado e lá vem mais uma repetição.
Estás VELHO, R.

domingo, 12 de junho de 2011

Morte em Veneza + Bogarde + NOVO PARAÍSO

(é um dos não-clientes de R.;
tudo começa quando este avista um Grande Leitor - potencial ou já efectivo; no caso, nos Contentores; neste ou no ano anterior, que importa -  o Menino, concentrado, «dos que não enganam»,  lia Woolf ou Lispector; sugestões e trocas de impressões foram muitas)

(aparece com Morte em Veneza; de Mann, R. recorda só o mínimo, de leituras já bem longínquas; do filme, de Visconti, não se lembrava do nome do actor - IMPERDOÁVEL - em tempos um dos preferidos - imagens, muitas, sobretudo de «O criado», de Losey, do referido, de «Providence», de Alain Resnais...)

(o Menino foi reaparecendo, com Os Buddenbrooks, em edição húmida do CL - diz que está a ler «A Montanha Mágica» - confirma-se Grande Leitor - chama-se P. R. - apelido «fantástico» - é Finalista, vai partir, para o estrangeiro, já, em princípio
 - outros leitores-clientes  de Corredor - os melhores ? - , virão)

(e, havendo tempo disponível, toma-se o COMPRIMIDO para a Memória - chama-se SANTA NET - recompõe vazios, completa fragmentos, alarga conhecimentos que, à data, nunca seriam tão ACESSÍVEIS)

(tanta conversa, para chegar ao endereço - irrepreensível página oficial de Dirk Bogarde, com percursos vários:

AQUI

R. não sabe se reencontra P. R. - é provável; se não, que sirva a outros/as que «querem cinema»....

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Nascidos e Despedidos

(dos clientes de 10-11 foram ONTEM «despedidos» os últimos, nesta «profissão cíclica, mas não agrícola» - embora tenha caído alguma, pouca, água)

(é 10 de Junho; um bom dia para o APAGAR quase definitivo do OUTRO)

(como ficou o vício...)

(Nasce este estival território de leituras - viverá 3 meses, será apagado quando  Setembro «mandar» - não haverá Nascidos em 11-12;
só Veteranos, Finalistas, «donos do Palácio em breve de Saída» 
- Vai ser Bonito)

(facilmente encontrarão a Nova Morada; quer os Escolhidos, quer os Pacientes)