domingo, 28 de agosto de 2016

«Perecível» (Meninas) - Maria Teresa Horta

[V. Lembra-se de ter lido, «dispersivamente», ao longo de muito tempo, por 2015, esta obra de M. T. H., de Nov. de 2014; agora relida no Rugido, em dois dias «contínuos»...]

Recorte de uma das Narrativas, designadas como «Contos»:
[...]
– Onde está a carta que a tua mãe te mandou?
E o seu rosto era de desvario absurdo, absoluto.
A sua voz de estilhaço feria, a sua voz de punhal cortava. Sangrei um pouco por dentro, mas continuei calada.
– Onde escondeste a carta da tua mãe?
Primeiro escondera-a no fundo de um buraco, por baixo de uma das faias, e pusera-lhe uma laje por cima como se se tratasse de uma campa rasa. Supersticiosa, tirei-a e fui dissimulá-la entre o enredo das hastes espinhosas de rosas púrpuras de almíscar, numa das áleas ao fundo do jardim. Mas com medo de que alguém mesmos aí a descobrisse, no seu fundo de húmus e farpas,
comera-a
Era como se não me lembrasse, mas soubesse que a tinha comido. Devagar, engolindo cada um dos pedaços, todas as letras que ela me escrevera. Fora a minha primeira carta de amor, e comi-a. Como se a incorporasse.
– Onde escondeste a carta que a tua mãe te mandou?
– Qual carta?
Sumida, uma voz sumida que soltei trémula fazendo frente à fúria enorme e descontrolada da mulher do meu avô, madrasta que nem era minha e sim da minha mãe, mas que transferira para mim o seu ódio resguardado.
– Estúpida rapariga! Ingrata! A defender uma maluca, uma leviana, que nem sequer lhe liga. Ela deixou-te, largou-te! Ela abandonou-te!

[...]   [transcrição que não respeita os «espaços gráficos»] 

Maria Teresa Horta, «Perecível», in Meninas, D. Quixote, 2014, p, 110

[ver  entrevista, de Dez. de 2014, no DN Magazine]

[enttrevista, de 05 - 08 - 2017, ao Expresso]

sábado, 27 de agosto de 2016

Zmab

É meio do dia e a Névoa não levanta... (Finalmente. Aleluia.)
É dia de passear os carros de bebés pela Larga Avenida...

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Rugido - Mapa dos Dias

[faltam 3 dias para o regresso ao Galhardo, melhor, à «Cave do Quinto» - Paraíso]


- ontem, 5 horas a fingir que ouvia o Primo da General - M. I. N. - um «Picareta Falante» que «só para si mesmo fala»...

- quanto à General, acedeu a todo o Noticiário Local, isto é, «Odem. e arredores..., 
Well.

domingo, 21 de agosto de 2016

Mapa dos Dias

- Final de tarde, ontem na Barragem de S. C. - Grande Paisagem em « Isoladas Amplitudes»...
- Mais uma vez, com o Clã G. da S. - entregues a mais uma Loucura (Esta, bem Grande...)
- Das três crianças da F. - M., J. e Z. - que não víamos desde DEZ, a General destacou sobretudo os dois mais novos - «que Diferentes»
Well

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Rugido, 19.º Dia

- 19.º Dia - por ora enevoado - a Zmab é cada vez mais uma «Placa Giratória»...

- com as Gerações Seguintes em Lagos, há que retomar  leituras, após 8 dias de «Adoração  da Menina»

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Rugido - Mapa dos Dias

Café do R., na manhã após mais um Corte de Água («estão todos podres os canos», dizia ontem o Técnico, ao Telefone) - enquanto Mat deixa os Prog. descansar...

Manhã enevoada, finalmente (após 8-10 dias de Brasa) - como V. Gosta...

Na Mesa do lado, «pronúncia do Norte» (fala-se muitas Línguas na Zmab, em AGO) - enquanto observa a ESP - para a COMP:

«Gostava de passar F. descontraído, como Aqueles...»

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

M. na Zmab

M. veio pela primeira vez à Zmab.
Chegou na quinta, 11. Está  nos 49 (dias) ,pois.
Logo se tornou o Centro de Tudo. D. comenta que não se lembrava de quão ABSORVENTE pode ser cuidar da «Raizinha» (palavra de A., «Pirralha»ou «Pipoca», para Jone...)
Casulo ainda, há que esperar pelas próximas vindas.
Pois é.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Trágico-Mar[itima - Ana Margarida de Carvalho

- saído em Abril, V. esperou que as INFO confirmassem...- num C. de T.,  J. J, (Chefe de Gráf.) referiu que o tinha recebido de oferta e que...

- leitura iniciada na sexta, 5 - atingida a página 171 - «deslumbrantes», as primeiras 46, de facto..., tal como acentua J. M. Silva.......................

Recorte>
[...] E ainda há a mãe dela, mulher adunca, sempre com a aflição nas saias e o credo nos lábios chupados de sofreguidão. Os passos que retorquem no sobrado, acelerados, a querer saber, a apelar ao capitão, solícita, requer, ordena, tem uma espécie de séquito que a escolta, de trás para diante, eles é que parecem as ondas ausentes. O capelão que lhe ampara os receios, vacilantes, e lhe aplaca a alma.
            ora pro nobis
e a ama negra que lhe amamenta e carrega o filho, criança adorada, loura e rosada, mimada em desvelos pela mãe desassossegada, que o atavia em atilhos e rendados, lhe enrola o dedo nos caracolinhos, que me reza a mim não sei quantas ave-marias, não vá o menino, que já gatinha, fugir-lhe da alcofa e cair-lhe do barco, não vá a criança tão esguia sumir-se entre as grades do porão e ser devorada viva pelas centenas de braços lá de baixo, que ondulam, sargaços sombrios, não vá o catraio engalfinhar as perninhas, tão tenras, roliças, nos cabos ensebados dos marinheiros e joguem borda fora o anjinho com os desperd[icios e ouras imundícies. Má raça do barco, vem cheio de moléstias. E saem-lhe da boca impropérios, alfinetadas, desabafos, que o capelão vem emoldurando de orações, temeroso de que eles me cheguem a mim, padroeira do navio, já que não sou salva-vidas, em caso de naufrágio, destinaram-me, porém, a poupar as almas. [...] E a mulher faz que sim, pede a benção, senhor padre, mas não, não aguenta tanta podridão, queixa-se, lamenta-se, volta a benzer-se, e o rumor dos de lá de baixo, e o cheiro, que não há vento que o desvie das nossas narinas, maldita travessia, aziaga calmaria, mar de belzebu, capitão alambazado, que só tem olhos para os cavalos, animais do demo, só puxam o demónio, perdão, senhor padre, a sua bençãoo três vezes e mais uma para o menino, [...]


Ana Margarida de Carvaho, Não se pode morar nos olhos de um gato. Teorema, 2016, pp. 18-

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Espelho (Reis ao)

(...(   Ricardo Reis baixa o jornal, olha-se no espelho, superfície duas vezes enganadora porque reproduz um espaço profundo e o nega mostrando-o como mera projeção, onde verdadeiramente nada acontece, só o fantasma exterior e mudo das pessoas e das coisas, árvore que para o lago se inclina, rosto que nele se procura, sem que as imagens de árvore e rosto o perturbem, o alterem, lhe toquem sequer. O espelho, este e todos, porque sempre devolve uma aparência, está protegido contra o homem, diante dele não somos mais que estarmos, ou termos estado, como alguém que antes de partir para a guerra de mil novecentos e catorze se admirou no uniforme que vestia, mais do que a si mesmo se olhou, sem saber que neste espelho não tornará a olhar-se, também é isto a vaidade, o que não tem duração. Assim é o espelho, suporta, mas, podendo ser, rejeita. Ricardo Reis desviou os olhos, muda de lugar, vai, rejeitador ele, ou rejeitado, virar-lhe as costas. Porventura rejeitador porque espelho também.

José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis, 21.a edição, Caminho, 2013, p. 67

[sublinhados acrescentados]

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Reis, rugido

- manhã enevoada no quinto dia no Rugido 2016, com «animação Holand.» no Bloco...

- releitura do Ano da Morte de R R., por causa do Prog. de 1718...
Well